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O Mito do Excesso de Ácido

Quem nunca tomou um antiácido após comer uma refeição pesada e se sentir com uma queimação no estômago, não é mesmo?

O antiácido simplesmente neutraliza o ácido presente no estômago diminuindo aquela sensação de queimação e seu uso esporadicamente não causa problemas.

Isso nos dá a falsa impressão de que o problema talvez seria excesso de ácido. 

Este é mito que é a base dos tratamentos convencionais da azia e refluxo e dos comerciais de remédios para inibir a acidez do estômago: de que a azia ocorre porque nós temos ácido em excesso no estômago.

Eles dizem que quanto menos ácido no estômago melhor. E isso é considerado como a verdade por vários médicos.

Eles nos indicam poderosos remédios para inibir a produção de ácido em nossos estômagos para aliviar a dor.

Porém o custo para a saúde de utilizar estes remédios por períodos prolongados tem sido ignorado pelos médicos que os prescrevem.

Mas continue comigo que vou lhe mostrar porque o excesso de ácido é um mito.

Apesar da teoria do excesso de ácido no estômago ser a teoria dominante entre os médicos atualmente, os fatos indicam exatamente o contrário.

Veja só os dados que vou apresentar a seguir.

A incidência de azia e refluxo (DRGE) aumenta com a idade, enquanto os níveis de ácido no estômago diminuem. (1)

Mais de 40% dos pacientes acima de 80 anos tem atrofia gástrica que pode ser relacionada ou não com a infecção por H. pylori. (2)

Praticamente todos os problemas de indigestão são atualmente tratados com antiácidos : a sensação de estufamento, inchaços, arrotos, gases em excesso, azia e refluxo. 

O ácido do estômago tem a função de digerir a comida, ele transforma  tudo que você comeu em uma “sopa” que deixa os nutrientes em condições de serem absorvidos.

Mas você já parou para pensar: se o problema é excesso de ácido então você não deveria ter indigestão mas sim uma digestão super rápida.

Como pode então o excesso de ácido causar má digestão ou indigestão?

A resposta é: não pode.

Pense comigo, como já  te disse a produção de ácido no estômago diminui com a idade.

Se o problema fosse excesso de ácido, os jovens deveriam sofrer muito mais de azia e refluxo, porém o que acontece é exatamente o contrário.

Veja, por exemplo, os dados da imagem  abaixo. Estes são os dados  da leitura de um dos artigos sobre azia e refluxo do meu blog.

Foram alcançadas cerca de 65 mil pessoas.

Os dados revelam que a maioria dos leitores têm acima de 45 anos, cerca de 75%.

Talvez você ache estranho haver uma redução no número de leitores acima de 65 anos, mas isso se deve ao fato de que muitas pessoas nesta faixa de idade não utilizam computador ou tem dificuldade na utilização.

Porém percebemos que os mais jovens (25-34 anos) são minoria. Isso só confirma o que estou falando para vocês.
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Outra dado que acaba com o mito do excesso de ácido: mulheres tem um pH basal gástrico médio em jejum maior que dos homens.(3)

Traduzindo para você, isso significa que mulheres em jejum têm menos ácido no estômago do que homens.
E as mulheres sofrem muito mais de problemas gástricos do que os homens.

Veja na figura os dados da leitura do um artigo do meu blog sobre azia e refluxo, o total é de aproximadamente 65,5 mil pessoas.


Note que as mulheres são cerca de 78% dos leitores.

Mais uma vez vemos que se o problema fosse excesso de ácido, os homens deveriam sofrer mais que as mulheres, porém o que ocorre é o contrário, as mulheres, que produzem menos ácido no estômago, sofrem mais de azia e refluxo.

CONCLUSÃO

Como vimos não há uma relação direta entre o excesso de ácido e a incidência de azia e refluxo na maioria dos casos. Pelo contrário vemos uma tendência maior de azia e refluxo nos grupos com menor produção de ácido no estômago (idosos e mulheres).

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(1) WRIGHT, Jonathan; LENARD, Lane. Why stomach acid is good for you: natural relief from heartburn, indigestion, reflux and GERD. Rowman & Littlefield, 2001.Pautas E, Chérin P, De Jaeger C, Godeau P. Carence en vitamine B12 chez le sujet âgé. Presse Med 1999;28:1767-70.



(2) CARMEL, Ralph; AURANGZEB, Imran; QIAN, Dajun. Associations of food-cobalamin malabsorption with ethnic origin, age, Helicobacter pylori infection, and serum markers of gastritis. The American journal of gastroenterology, v. 96, n. 1, p. 63-70, 2001.

(3) FELDMAN, Mark; BARNETT, Cora. Fasting gastric pH and its relationship to true hypochlorhydria in humans. Digestive diseases and sciences, v. 36, n. 7, p. 866-869, 1991. 


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