Eixo Cérebro-Intestino: Como a Microbiota Intestinal Influencia a Ansiedade e a Depressão Pular para o conteúdo principal

Eixo Cérebro-Intestino: Como a Microbiota Intestinal Influencia a Ansiedade e a Depressão

Quando seu intestino faz barulhos ou ronca, ele está se comunicando com o seu cérebro. É algo perfeitamente razoável a se fazer. A evolução favorece o intestino que diz ao cérebro o que ele quer.

Então não é tão surpreendente que o cérebro e o intestino tenham um canal de comunicação. Mas imagine que o sistema de comunicação do intestino tenha sido tomado por invasores com um tipo de mensagem diferente e que está se comunicando com a sua mente. Adivinhe? É isso que acontece. 

A menos que você seja uma rato de laboratório, seu intestino já tem cerca de 100 trilhões de invasores. Eles são quase mil espécies diferentes de cerca de 6 ou mais filos de micróbios.

Na verdade, seria mais correto chamar a maioria destes invasores de colonizadores. Nos primeiros dias depois do nascimento, um intestino de bebê se torna lar de diversas famílias de micróbios que normalmente ficam por lá o resto da vida. Estes micróbios colonizadores são maiores que o número de células do nosso corpo. Mas eles não são uma ameaça, são aliados, ajudando a digerir a comida e auxiliando na proteção contra doenças. E eles enviam sinais importantes para o seu cérebro.

A mistura precisa destes micróbios não é a mesma em todos os indivíduos. Ela depende da idade, dos genes, do que você come e onde você vive, entre outras coisas. E a mistura de qualquer pessoa pode mudar ao longo do tempo.

"Nós estamos apenas começando a entender como a diversidade e a distribuição destes seres proeminentes contribuem para a saúde ou para a doença", dizem Jane Foster e Karen Anne Mc Vey Neufeld, autoras de um estudo científico publicado em 2013 que analisa a influência que a  microbiota intestinal pode ter em quadros de ansiedade e depressão.

Os micróbios do seu intestino ajudam no desenvolvimento do sistema imunológico, que luta contra germes que não são normalmente parte da sua microbiota intestinal.

Ratos de laboratório "sem germes" e sem micróbios colonizadores tem um sistema imunológico mais fraco e demonstram respostas exageradas ao estresse. Estudos também demonstram que os micróbios do intestino influenciam na sinalização do eixo HPA (hipotálamo-pituitária-adrenal - eixo responsável por comandar a resposta ao estresse).


No início do desenvolvimento, a microbiota intestinal afetam o funcionamento dos nervos dos sistema de estresse, influenciando em como o corpo reage ao estresse pelo resto da vida. Isso sugere que a microbiota tem influência em alguns aspectos da  saúde mental de uma pessoa, uma descoberta recente.


"Nós sugerimos que a microbiota intestinal tem um papel importante na forma como o corpo influencia o cérebro ... e influencia o risco de doenças, incluindo ansiedade e desordens de humor", escrevem Foster e Neufeld, na Universidade de McMaster em Hamilton, no Canadá.

A depressão, por exemplo, pode estar relacionada com a desordem no eixo do estresse que os micróbios podem causar. Mas os germes também pode afetar o cérebro mais diretamente, ajustando a sensibilidade das células nervosas no intestino que enviam sinais ao cérebro e influenciam no comportamento. A microbiota intestinal também parece alterar a atividade química de moléculas mensageiras do sistema nervoso como a serotonina, que tem um papel importante nos transtornos de humor, incluindo a depressão.




Quase todas as evidências estabelecem que essa nova compreensão da microbiota vêm de estudos em ratos de laboratório. Então as lições que podemos tirar disso para ajudar os humanos é um pouco limitada. Entretanto, as pesquisas em ratos abrem novas possibilidades que podem ser exploradas.

Por uma lado, o tratamento com "probióticos" - micróbios do bem consumidos como suplemento alimentar - pode se revelar útil no combate à ansiedade e a depressão. Probióticos reduzem a ansiedade e o comportamento depressivo em ratos e efeitos similares foram vistos em alguns poucos estudos em humanos. 

Estes estudos, entretanto, apenas mostrou menor pontuação em questionários de estresse e depressão em pessoas saudáveis depois da ingestão de probióticos. Ainda é preciso fazer testes em pacientes psiquiátricos para ver se os probióticos serão realmente úteis no tratamento de pessoas com sérios transtornos de humor.

Em todo caso, não é muito provável que a manipulação de probióticos irá se tornar a cura para todos os problemas psíquicos. Mas também não é o ideal tratar a depressão e outros transtornos de humor focando apenas no cérebro e negligenciar a microbiota intestinal.

E o impacto da microbiota no corpo e no cérebro podem ser ainda mais complexos do que os estudos tem mostrado até agora. A microbiota afeta também a memória e o aprendizado. Estudos da flora intestinal podem oferecer novas idéias no tratamento de de problemas com autismo, obesidade e talvez transtornos de personalidade.

Até agora as evidências não são conclusivas nestes pontos, mas alguns cientistas tem um pressentimento sobre isso.

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Tradução de: https://www.sciencenews.org/article/microbes-home-your-gut-may-also-be-influencing-your-brain.

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